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Restaurante O Albertino (Gouveia - Folgosinho, Portugal)

Fama controversa entre quantidade e qualidade.


Acho extraordinário quando um restaurante consegue só por si dar nome e fama a uma aldeia. Se não fosse o Albertino, quase ninguém saberia onde é Folgosinho, especialmente porque para lá chegar temos que percorrer uma longa estrada que não tem continuação numa das zonas menos turísticas da Serra da Estrela. Algumas pessoas, que conheço na região, falavam com elevação e orgulho deste restaurante como sendo uma espécie de luxo praticável apenas em dias especiais e inatingível caso não fosse programado com muita antecedência.


Localização & Acesso (7/10)

Estamos no Parque Natural da Serra a Estrela, mas longe do rebuliço turístico numa encosta menos visitada e menos interessante. Um pouco a norte de Gouveia, encontramos o caminho para Folgosinho e vamos subindo até ao fim da estrada depois de passar por muitos terrenos inóspitos. Quando chegamos deparamos-nos com uma aldeia típica e bem preservada onde as viaturas se passeiam por ruelas empedradas até encontrar alguns dos largos onde se consegue estacionar. Vale a pena dar um passeio a pé e conhecer o micro-castelo no ponto mais alto. Há estacionamento mais fácil fora do centro histórico, mas ainda um pouco longe do restaurante.

Conforto, Decoração & Ambiente (5/10)

Existem vários espaços interiores e cheios de iluminação artificial, distribuídos por diferentes pisos, mas é tudo muito apertado e onde a decoração não tem muita relevância, existe até um excesso de simplicidade e facilitismo que me obrigou a ficar sentado ao lado de uma arca frigorífica sem qualquer tipo de visão periférica e exposto ao ruído do motor da mesma. É um local de romarias e não é estranho encontrar excursões a entrar pelo estabelecimento, tornando-o numa espécie de supermercado de almoços. No meio de tudo isto, só mesmo uns laivos de decoração serrana conseguem salvar a situação.


Atendimento & Serviço (6/10)

Deixa uma sensação agridoce, porque o atendimento é muito competente e eficiente, mas com um toque algo industrial em que o cliente é visto como uma fonte de rendimento e não como um visitante a quem se deve agradar. Senti que os pratos eram trazidos de uma forma mecânica, como se estivesse numa qualquer cantina e senti falta da simpatia e cordialidade tão típica desta região. Seja como for, apostam forte na eficiência e nesse capítulo não tenho absolutamente nada a apontar. Nota negativa para o facto de ter que ir ao bar para consumir o café após a refeição.

Ementa & Apresentação (5/10)

O sistema que implementaram pretende facilitar o trabalho da cozinha de modo a poderem servir o maior número de pessoas possível em duas sessões em que o restaurante está sempre lotado. Trata-se de um menu que inclui uma sequência de pratos que nos deixa a rebentar pelas costuras em pouco tempo. Tudo isto faz parte da eficiência que elogiei no critério anterior. Também pode escolher um prato apenas, mas o preço não compensa, já que paga tanto por um prato como pelo menu inteiro que inclui entradas e sobremesa. Se não estiver interessado em carne ou neste menu, pode também escolher alguns peixes, mas apenas por encomenda. A apresentação dos pratos é algo tosca e grosseira, mas coerente.


Qualidade da Refeição (6/10)

Para mim, o melhor da refeição está nas entradas, porque são produtos regionais e cuja qualidade reconhecida não engana desde os queijos às morcelas e chouriças, incluindo o fantástico pão. Quando chegamos aos pratos principais, ficamos com a sensação de que cada um daquele pratos poderia ter tido uma confeção bem mais cuidada se não estivessem englobados no menu turístico. O Arroz de Cabidela de Coelho e o Cabrito Assado são agradáveis, embora no caso do Cabrito não tenha tido muita sorte com os pedaços que me serviram. A Vitela de Folgosinho (que só servem ao fim de semana) também é de qualidade, mas quando chegamos ao Leitão é uma desilusão, embora seja uma região onde o Leitão não é tão tradicional assim, mas fica a sensação de que os bocados não têm uma temperatura homogénea e que já foram reaquecidos, ficando muito longe da qualidade da Bairrada e de Negrais. O Javali com Feijão, em condições normais, seria uma das minhas primeiras escolhas, mas também não posso dizer que tenha ficado acima da média. Entre as sobremesas destaco o Leite Creme gostoso e bem servido e o tradicional Requeijão com Doce de Abóbora.

Preço Vs Qualidade (6/10)

Se este critério se chamasse preço vs quantidade teríamos aqui uma nota máxima, mas como é da qualidade que se trata acaba por sair um pouco prejudicado pelo facto de existir um preço fixo que não permite fazer o controlo dos custos (que para mim é fundamental). Por outro lado, a qualidade da refeição está longe de ser de topo, pese embora ninguém poder ter o descaramento de dizer que saiu de lá com fome. De facto, já é bom não haver surpresas desagradáveis na fatura, mas ainda assim, se quiser apenas escolher um prato vai ter que pagar um valor nada adequado à qualidade.

Preço Base (Prato+Bebida): De 15€ a 20€
Preço Base + Sobremesa: De 15€ a 20€
Preço de Menu Completo: De 15€ a 20€

Conselhos & Dicas

- Vale a pena dar um passeio por Folgosinho, que tem algumas imagens e paisagens pitorescas.
- É obrigatório reservar com alguma antecedência, porque existem muitas excursões que ocupam toda a lotação do espaço.
- Se está a pensar num ambiente romântico ou numa fuga à confusão... esqueça!
- Pode até escolher um prato em vez do menu turístico, mas isso vai sair muito mais caro.
- Se levar crianças, até aos 10 anos pagam metade pelo menu.

Petiscaria Espumanteria 9 & 24 (Sintra - Colares, Portugal)

Não serve apenas para petiscar...


Existem cada vez mais espaços a promover o tradicional petisco português servido de uma forma mais elegante. Nem sempre estamos dispostos a uma refeição convencional fora da hora do almoço, portanto torna-se uma excelente opção quando apenas nos apetece petiscar num ambiente acolhedor. Mas aqui também se servem refeições completas e não há nada melhor que poder escolher de entre várias alternativas. Foi uma experiência muito interessante e certamente a repetir quando voltar aquela região.


Localização & Acesso (7/10)

Estamos em plena Serra de Sintra, mas ao mesmo tempo perto de tudo: praias, cultura, monumentos e a beleza da natureza extraordinária desta região. O Nº1 do Largo das Casas Novas, em Casas Novas, tem uma placa que diz "Restaurante a Adega", mas não se deixe enganar, porque ambas as designações são válidas já que este espaço ficou conhecido como tal, mas os novos proprietários tinham mudado o negócio de uma outra localidade da região, trazendo uma nova designação. Quem vai de Colares para o Cabo da Roca, deve virar à esquerda logo após Almoçageme, no sentido contrário é à direita quando observar as placas Casas Novas, Penedo e Restaurante a Adega. Existe pouco estacionamento, porque a aldeia é pequena, estreita e não é um ponto de passagem. Há transportes públicos (autocarros), mas muito escassos e duvido que à noite seja possível usufruir dessa solução.

Conforto, Decoração & Ambiente (8/10)

Quando entramos, vemos a cozinha aberta à direita e deparamos-nos com uma decoração cheia de lembranças de épocas passadas: livros da escola, fotografias, revistas, cartazes, LP's e até um ZX Spectrum que tantas boas memórias me trouxe. O ex-libris do espaço acaba por ser a roupa interior estendida numa corda a um canto da sala, algo que não é totalmente inovador (já tinha observado este tipo de decoração humorística no famoso Restaurante Maria, no Alandroal), mas que acaba por dar um toque muito engraçado. O ambiente é muito descontraído e a clientela parece ser muito familiar, já que muitas das pessoas que entravam iam cumprimentar os donos e outros clientes. Uma família um pouco maior tornou a refeição algo ruidosa, mas penso que terá sido apenas infelicidade. A lareira acesa também deu um toque de conforto ao ponto de nem nos apercebermos de que lá estava. Só não gostei de verificar que havia uma grande televisão ligada num canal desportivo... útil para alguns clientes, mas não para mim.


Atendimento & Serviço (8/10)

Apenas uma pessoa a atender, mas de uma forma muito honesta, educada e simpática, para não falar da eficiência. Tivemos um tratamento muito especial, mesmo considerando que íamos munidos de um voucher promocional. A ementa chega através de um quadro em ardósia que o empregado transporta e explica de forma sucinta o que me pareceu uma forma original de quebrar o gelo. Olhar para a cozinha e ver a organização e aprumo latente em cada pedido também ajudou a valorizar esta avaliação. Não existem dois pratos iguais, há copos de várias nações e somos servidos em loiça antiga e tradicional portuguesa.

Ementa & Apresentação (7/10)

A variedade de escolha é relativa, mas nas paredes e na entrada somos convidados a provar os petiscos para só mais tarde percebermos que também existem pratos principais. A lista de petiscos é curiosa, porque atribui nomes carinhosos a cada um, sem revelar de imediato do que se trata. Os Chicos Espertos são Pimentos Padron, os capacetes são Cogumelos recheados com Farinheira, as Lascas são Casca de Batata e tudo isto acrescenta um toque pitoresco à fase da escolha. No entanto, também podemos escolher Moelas, Costeletas, Bitoque, Bacalhau, Iscas e alguns outros produtos tipicamente portugueses. Os petiscos chegam com uma apresentação simpática e prática.


Qualidade da Refeição (7/10)

Quando falamos em petiscos, acabamos por lidar com produtos de que nem todos gostam, especialmente se o menu for fixo, como foi o caso. Começamos pelos Pimentos Padron salteados, bem salgados e saborosos embora eu prefira os maiores. Quando chegou o Queijo no Forno com Oregãos foi um festival para o palato, acho que era capaz de fazer uma refeição só com aquele queijo barrado nas tostas e um copo de vinho. As Lascas estavam um pouco gordurosas, mas a Maionese de Coentros que as acompanhava fazia esquecer esse pormenor. Como as Moelas tinham acabado, escolhemos os Cogumelos com Farinheira (capacetes) que estavam excessivamente condimentados para os estômagos mais frágeis e, por serem apenas dois, dificilmente satisfariam a fome a alguém. O vinho da casa é Ermelinda de Freitas e escorrega muito bem.

Preço Vs Qualidade (9/10)

Foi sem dúvida uma agradável surpresa quando percebi que era perfeitamente possível controlar os gastos escolhendo mais ou menos petiscos e gerindo bem as bebidas. Até o preço do vinho e do café se revelou absolutamente honesto. A qualidade dos produtos é indesmentível e o preço acabou por ser uma agradável surpresa para um jantar num espaço tão acolhedor e fora dos roteiros turísticos mais tradicionais da Serra de Sintra.

Preço Base (Prato+Bebida): De 5€ a 10€
Preço Base + Sobremesa: De 10€ a 15€
Preço de Menu Completo: De 10€ a 15€

Conselhos & Dicas

- Como primeira visita, escolha os petiscos e deixe-se levar pelo ambiente.
- O vinho da casa é garantido que vale a pena e não sai caro.
- Se gosta de ambientes acolhedores, não pode deixar de ir no inverno em que a lareira está acesa.
- Não é fácil estacionar, mas consegue encontrar lugares num raio de 100 metros se tiver alguma confiança a arrumar em espaços pequenos.