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Restaurante A Cavalariça (Castro Verde - Entradas, Portugal)

Numa localidade chamada "Entradas"... tinha que haver boa comida.


Tinha ficado alojado num hotel rural no meio do Alentejo e achei que devia procurar alternativas para almoçar ou jantar por um preço mais acessível que o restaurante do hotel. Um amigo aconselhou-me a experimentar A Cavalariça que se encontrava no meio de um povoado a 20km do hotel e que se tornou numa sugestão excelente e bastante mais económica, mesmo contabilizando a gasolina. Mais tarde, num regresso do Algarve, não tive dúvidas em fazer um pequeno desvio para lá almoçar outra vez.


Localização & Acesso (6/10)

Tenho que valorizar o esforço e a dedicação de quem se entrega a um projecto gastronómico no meio de uma zona tão isolada e fora das rotas turísticas. Bem-hajam esses empreendedores! Felizmente, começam a aparecer, num raio de 20Km, alguns empreendimentos turísticos que dão alguma vida e possibilidade de sucesso a estes negócios. Situada na borda da IP2, Entradas é uma pequena e simpática aldeia a meio caminho entre a Autoestrada do Sul (A2) e Beja, apenas alguns quilómetros depois de Castro Verde. O restaurante fica no meio da aldeia, numa rua bem estreita e até nem é fácil encontrar à primeira. Não há estacionamento privativo, mas há muito espaço e lugares para estacionar nas redondezas. A entrada dá para a Rua do Poço, Nº14, mas a morada oficial é a Rua dos Escudeiros, Nº3.

Conforto, Decoração & Ambiente (7/10)

A sala é um pouco escura e com pouca luz natural, mas a decoração é simples, fazendo combinar a madeira maciça do tecto, das cadeiras e das portas com o branco das paredes e toalhas dispostas nas mesas. As paredes têm alguns quadros e objectos rurais que dão um toque rústico e que tornam o espaço muito confortável. O ambiente é familiar ao ponto haver uma pequena escadaria que leva à cozinha e onde vemos as pessoas em movimento para realizar o serviço. Há um ambiente descontraído, tipicamente alentejano e absolutamente genuíno.



Atendimento & Serviço (8/10)

São de uma simpatia extraordinária, mas trata-se claramente de um estabelecimento familiar onde os clientes são tratados como convidados, ao ponto de perante uma pergunta responderem algo do género: "Vou perguntar à minha tia" o que achei delicioso e absolutamente genuíno. A única queixa que tenho a fazer é em relação ao tempo que os pratos demoram a sair (é uma realidade comum a muitos restaurantes no Alentejo), o que por outro lado demonstra que a comida é feita na hora. São muito atenciosos com as crianças e não me canso de salientar a simpatia, honestidade e humildade das pessoas que nos atenderam.

Ementa & Apresentação (7/10)

Tem uma ementa bastante mais variada do que se poderia esperar para um estabelecimento com este tipo de localização, mas convém perguntar quais são os pratos do dia, porque os outros vão certamente demorar mais o que se torna até menos rentável para o negócio familiar. As entradas são básicas entre o queijo regional, o paio ou presunto de porco preto e as azeitonas. Os pratos de caça variam conforme a época, mas podemos escolher de entre a Açorda de Perdiz ou Faisão, o Cozido de Grão com Lebre, ou Lebre com Feijão Branco. No entanto, a lista de pratos de porco preto e de borrego é muito mais variada e com alguns toques de inovação. As sobremesas também tentam manter a linha alentejana apostando na Encharcada, no Requeijão com doce de Abóbora e na Tarte de Requeijão. A apresentação é simples, mas digna.

 

Qualidade da Refeição (8/10)

Não se pode dizer que seja uma comida digna de estrelas Michelin, mas é comida caseira, feita com carinho e muito saborosa. As doses são bem servidas e em alguns casos até dá para partilhar (perguntem, porque eles são muito honestos e prestáveis). Experimentámos os presuntos e paios, assim como os queijos regionais como entrada, porque a espera foi longa, mas foi o presunto que mais se destacou. Como prato principal testei o Javali Estufado, muito bem condimentado, mas também as Burras no Forno (bochechas de porco), Secretos de Porco Preto e até um Ensopado de Borrego, tendo todos cumprido bem em termos qualitativos e quantitativos. Só escolhi uma das sobremesas: a Encharcada e não me arrependi.

Preço Vs Qualidade (8/10)

Não foi o restaurante mais barato que visitei no Alentejo, mas compreendo a necessidade de adequar os preços ao isolamento e requisitos de qualidade que a localização exige. Considerei absolutamente justo o valor final das refeições, porque a qualidade da comida é intocável e se conseguirem partilhar ou se levarem crianças que comam com os pais, melhor será.

Preço Base (Prato+Bebida): De 10€ a 15€
Preço Base + Sobremesa: De 10€ a 15€
Preço de Menu Completo: De 15€ a 20€

Conselhos & Dicas

- Não queiram estacionar mesmo em frente ao restaurante. As ruas são apertadas e por vezes há camiões que necessitam de passar ali e fazer manobras. A menos de 100 metros há lugares melhores e à sombra.
- Atenção aos horários! Cheguem dentro dos horários das refeições, nestas localidades mais remotas as coisas não funcionam fora de horas.
- O serviço demora um bocadinho, portanto pode entreter-se com as entradas que até nem são muito caras.
- No verão, ao jantar, pode estar mais composto, mas no resto do ano há sempre lugares para sentar.

Marisqueira César (Mafra - Ericeira, Portugal)

Uma marisqueira de referência na região saloia.


Já lá vai o tempo em que a Ericeira era a colónia de férias dos lisboetas, um local tão pitoresco como diversificado com hotéis de qualidade, quartos ou parques de campismo. Hoje, mantém a sua vertente turística, mas é especialmente um agradável destino de fim de semana e de gastronomia. A Marisqueira César não é apenas um restaurante, mas também um espaço de culto ao marisco e à família. Fui lá 2 vezes com um espaçamento de largos anos e quase não notei a diferença, excepto nos melhoramentos feitos no exterior que enriquecem bastante a experiência a todos os níveis. Quando falamos em marisqueiras na Ericeira (e há bastantes), esta é uma das poucas que parece ser consensual e reconhecida.


Localização & Acesso (9/10)

Está localizada mesmo na saída norte da Ericeira, em frente ao parque de campismo, portanto não há muito que enganar. Tem um parque de estacionamento privativo e amplo que descansa até os mais retardatários. Está posicionado numa falésia com uma vista deslumbrante sobre o Atlântico e tem um enorme parque infantil, permitindo também visitas guiadas aos viveiros, que se encontram no piso de baixo, de onde chegam os mariscos que solicitamos à mesa (portanto, mais fresco não podíamos pedir).

Conforto, Decoração & Ambiente (8/10)

Ao contrário de uma grande parte das recentes e modernas marisqueiras, esta tentou manter o ambiente das marisqueiras antigas e tradicionais, com uma decoração rústica e colorida. Ficar ao pé de uma das janelas a observar o mar e a paisagem é um privilégio que aconselho se esses lugares estiverem vagos. O ambiente não é tão seletivo como a maior parte das marisqueiras da região, chega até a ser acolhedor e familiar. Há um conforto pouco comum neste tipo de restaurantes.



Atendimento & Serviço (8/10)

O atendimento é simpático, informal, eficiente e não invasivo. Há uma boa disponibilidade dos empregados para aconselhar os clientes e a proximidade com os viveiros permite que as pessoas façam pedidos especiais. Utilizam-se utensílios de boa qualidade e para todos os tipos de marisco, não há dúvida que sabem o que estão a fazer.

Ementa & Apresentação (8/10)

Se o objetivo for comer marisco... está no sítio certo, porque tem todos os tipos de marisco ao quilograma assim como pratos onde o marisco é o rei, tais como, Paella, Arroz, Feijoada, Caril ou Açorda de Marisco. No entanto, também é forte em peixes grelhados no carvão com uma grande variedade de espécies. É uma ementa bem composta e variada. Quanto à apresentação dos pratos é a tradicional para este tipo de restaurantes, servidos nos tachos metálicos onde são confecionados e distribuídos pelo número de pessoas adequado em cada prato.


Qualidade da Refeição (9/10)

Não há quase nada a apontar, os mariscos são frescos porque são trazidos diretamente dos viveiros e são bem cozinhados e temperados. Experimentámos os Percebes, o Camarão Tigre, as Ameijoas, a Sapateira, mas também o Arroz de Marisco, a Açorda de Marisco e a Mariscada à César que é uma das principais especialidades da casa. Tudo passou com nota elevada. Em relação a sobremesas, não costuma ser o ponto alto destes locais e a ementa não é rica nesse aspeto, mas ainda assim provámos uma aceitável Mousse de Chocolate e um Crumble de Maçã com Gelado que foi surpreendente.

Preço Vs Qualidade (7/10)

Marisqueira e preços baixos, em Portugal, não combinam, porque os produtos não são baratos. Ainda assim, os preços nesta região estão um pouco mais acessíveis que na Linha de Cascais ou que no centro de Lisboa, mas curiosamente com mais qualidade. Nunca paguei pouco, mas também nunca me senti enganado. Porém, as doses são muito boas e preenchidas de marisco, permitindo que um prato identificado como sendo para 2 pessoas, possa servir para 3 ou 4, o que torna o preço bem mais acessível.

Preço Base (Prato+Bebida): De 15€ a 20€
Preço Base + Sobremesa: De 20€ a 25€
Preço de Menu Completo: De 35€ a 40€

Conselhos & Dicas

- Pode levar crianças à confiança, porque há um enorme parque infantil e muito espaço.
- Uma visita guiada aos viveiros que ficam no piso de baixo é uma excelente forma de complementar um passeio em família.
- Se escolher pratos de marisco, especialmente aqueles que dão para duas pessoas, pondere a possibilidade de dar para 3 ou 4 pessoas de forma a reduzir o preço final, porque as doses são generosas.
- A Mariscada à César é a grande especialidade da casa, com esta escolha não corre riscos.

Restaurante Charbonada (Ourém - Fátima, Portugal)

Um nome enganador, mas a comida não engana.


Quando uma comerciante local nos aconselhou este restaurante, tivemos alguma dificuldade em entender o significado de um termo que nos fez lembrar "Carbonara" levando a nossa imaginação para a possibilidade de haver ali influências italianas. Puro engano! "Charbonada" é uma forma de grelhar a comida na mesa com o auxilio de um grelhador a carvão e de um exaustor que mais parece uma chaminé portátil para recolher os fumos. Uma ideia interessante que transforma este restaurante num espaço único, onde as "chaminés portáteis", que descem do tecto, acabam por ficar na retina para sempre.


Localização & Acesso (6/10)

Fátima é famosa pelo santuário, pela história religiosa e pelas peregrinações que inundam a cidade de carros e pessoas lançando o caos nos dias de peregrinação e também na maior parte dos fins de semana. Quem já visitou esta localidade, em décadas diferentes, percebe o crescimento brutal que sofreu e conhece as estradas circulares que procuram distribuir o trânsito para diversas saídas de forma a evitar o congestionamento do centro, algo que nem sempre funciona. Numa dessas circulares, na Av. Beato Nuno e inserido no Edifício Panorâmico, está localizado o restaurante suficientemente longe do santuário para evitar confusões. É difícil encontrar lugares para estacionar, mesmo num dia normal, mas o facto de ser uma zona mais residencial acaba por tornar o local um pouco menos frenético que o resto da cidade embora também menos interessante do ponto de vista do ambiente e da "paisagem". A entrada não é muito apelativa nem bonita, mas o interior é bem diferente.

Conforto, Decoração & Ambiente (7/10)

As chaminés das "charbonadas" tomam conta da decoração, sendo que à primeira vista parecem uns "mamarrachos" sem sentido, mas quando as vemos em pleno funcionamento compreendemos a sua utilidade e importância para não recebermos os fumos que chegam dos grelhados das outras mesas. As paredes têm alguns relevos e pinturas que dão um aspeto mais confortável e aconchegante. O ambiente é essencialmente familiar, porque as crianças ficam fascinadas com a "tecnologia" de cozinhar à mesa e com os utensílios que são utilizados para o fazer.



Atendimento & Serviço (8/10)

Fiquei surpreendido com a elegância do serviço, cuidadosamente feito à mesa por profissionais desembaraçados e conhecedores das suas tarefas. Pratos feitos nas mesas e um permanente cuidado em atender ás nossas necessidades. Infelizmente o serviço não foi muito rápido e tivemos que esperar bastante pelos pratos principais, tendo verificado que outros clientes tiveram outra sorte: uns chegaram mais tarde e foram servidos muito antes e outros chegaram pouco depois e ainda não tinham sido servidos quando saímos. Como cliente compreendo que alguns pratos sejam mais rápidos, mas julgo que não ficaria mal darem uma justificação para os atrasos.

Ementa & Apresentação (8/10)

Trata-se de uma ementa requintada, mas que paradoxalmente inclui pratos bastante simples que são feitos à mesa como são as "charbonadas" de Lombo de Vitelo, Porco, Peru, Camarão ou Vaca. Nos mais requintados sobressaem os Lombinhos de Linguado com Amêndoas, Camarão Tigre à la Plancha, Supremos de Cherne Dourado com Ananás, Tornedó, Rosbife ou o Chateaubriand com Molho Bearnês. Sendo a ementa rica, já o mesmo não poderei dizer das entradas e sobremesas que me pareceram algo limitadas, mesmo tendo em consideração as informações que obtivemos sobre a fama de algumas sobremesas como o Bolo de Chocolate e a Torta do Chefe. Os pratos têm uma boa apresentação e são bem decorados por quem serve.


Qualidade da Refeição (7/10)

Houve pequenas falhas, mas estava tudo saboroso. Provei o Magret de Pato com Mel (um dos meus pratos favoritos), mas uma pequena parte da carne estava consideravelmente mais mal passada que a restante (sei que o Magret de Pato é servido mal passado, mas aquele bocado estava quase cru), embora estivesse deliciosa a combinação de sabores no geral. O Robalo na Brasa estava divinal e as doses muito bem servidas. Para sobremesas pedimos crepes com gelado, porque não nos sentimos tentados a escolher outras coisas, mas ficámos satisfeitos com o tamanho da dose e a qualidade da confeção.

Preço Vs Qualidade (7/10)

Os pratos principais não são baratos, mas a qualidade da comida e do serviço justificam essa situação, especialmente porque estamos a falar de uma cidade onde o turismo está altamente desenvolvido. A verdade é que é possível encontrar mais barato nas redondezas, mas com uma qualidade muito inferior. Senti que tinha pago um preço justo.

Preço Base (Prato+Bebida): De 15€ a 20€
Preço Base + Sobremesa: De 15€ a 20€
Preço de Menu Completo: De 20€ a 25€

Conselhos & Dicas

- A escolha da sala é importante, a da entrada parece mais sossegada e a interior mais movimentada, mas com um atendimento mais rápido.
- Quando levarem crianças irrequietas, experimentem uma "charbonada" que os vai deixar curiosos e deslumbrados.
- Há doses grandes que até podem dar para duas pessoas e contribuir para alguma poupança na conta final.
- Fátima é mais interessante nas épocas menos movimentadas e arranjar lugar neste restaurante também. Fui em Dezembro e gostei do ambiente mais calmo.

Café de São Bento (Lisboa - Lapa, Portugal)

Um bife de luxo num espaço emblemático.


É um restaurante/bar que existe desde 1982 e tem mantido intocável a sua ideia original de tentar recriar os antigos cafés de Lisboa apresentando um menu simples, mas de altíssima qualidade e orientada para clientes de classe média/alta, especialmente com a possibilidade de servir os deputados da Assembleia da República (que se encontra mesmo em frente), que sei que durante muitos anos foram e continuam a ser clientes assíduos.


Localização & Acesso (6/10)

O bairro da Lapa é dos mais sumptuosos de Lisboa e a Rua de São Bento tem fama e famosos que lá viveram. Situado no número 212 tem uma localização privilegiada numa zona tão antiga quanto movimentada da cidade. A proximidade com a Assembleia da República tem a vantagem de apelar a um público com maiores possibilidades financeiras, mas acredito que em dias de manifestações (que hoje em dia ocorrem quase todas as semanas) não seja tão agradável como isso. Nos últimos anos tem vindo a surgir muita oferta de parques de estacionamento pagos nas redondezas, mas em 2003 era um suplicio encontrar lugar se chegássemos fora de horas. Está, no entanto, bem servido de transportes públicos... embora não me pareça que a sua clientela opte por esse meio de locomoção. O facto de não ter uma entrada apelativa como restaurante, acaba por afastar os turistas acidentais, pois a pequena chapa metálica e a ementa sóbria na entrada quase nada revelam sobre o interior.

Conforto, Decoração & Ambiente (7/10)

Tem dois pisos, que após as mudanças legislativas referentes ao tabaco, serviram para diferenciar o espaço de fumadores e não fumadores. A decoração tem um estilo vitoriano com sofás vermelhos e mesas simples de madeira que fazem um contraste entre o rústico e o luxo. A clientela é selecionada através dos preços, mas não vemos por lá turistas, vemos essencialmente pessoas da classe média/alta de Lisboa onde também se encontra um misto de juventude, apreciadora de um bar, e adultos de meia idade a quem a música dos 80 e 90, que passa em bom ritmo nas colunas, proporciona boas recordações. Pessoalmente, não achei muito confortável, para uma refeição, pelo facto de estar sentado num sofá mais convidativo para me recostar e traçar a perna do que para manter uma postura correta à mesa. Quando está cheio, fica muito apertado, ao ponto de os empregados empurrarem algumas cadeiras com as pernas quando passam. Lembrem-se que não funciona apenas como restaurante, mas também como bar.


Atendimento & Serviço (7/10)

Fiquei mesmo junto ao bar, o que me trouxe algumas vantagens já que os empregados necessitavam sempre de "regressar à base", mas apercebi-me de pessoas que desesperavam por atenção num canto da sala. Sinceramente, esperava um atendimento digno de um restaurante de topo, mas a polivalência do espaço faz com que os empregados se comportem mais como empregados de bar, que gostam de meter conversa embora com alguma elegância. O serviço não é particularmente rápido, mas acho que faz parte do encanto do espaço para os clientes poderem desfrutar da música, do ambiente e de uma boa conversa.

Ementa & Apresentação (7/10)

A ementa é curta, mas assumida! Tem bifes e pouco mais, embora esteja bem completada por entradas e sobremesas variadas. As entradas estão focalizadas nos queijos, enchidos e "carpaccios" de alta qualidade. A lista de sobremesas é rica em receitas internacionais como a Tarte Tatin da Maçã, Cheesecake, Carré de Dois Chocolates ou Sorvete de Limão com Vodka. Quanto ao prato principal, pode escolher entre o Bife à Café São Bento (com molho mais calórico, mas mais suculento) ou à Portuguesa (com alho e louro como manda a tradição), podendo escolher para cada versão entre o Lombo ou a Vazia. Pode também pedir o bife grelhado ou até no pão, mas a única alternativa aos bifes é mesmo o Salmão Fumado. A apresentação é cuidadosa, com um recipiente diferente para cada ingrediente.


Qualidade da Refeição (9/10)

Se há aspeto que não pode ser discutido é a qualidade da comida... só não é perfeita, porque já provei bifes melhores (e mais baratos), mas ainda assim a qualidade está lá toda. Pedimos de entrada o Queijo Serra da Estrela acompanhado de Geleia e Bolachas Integrais que se revelou uma combinação bem interessante. Quanto aos pratos principais escolhemos ambas as versões, ou seja, o Bife do Lombo à Portuguesa e um Bife da Vazia à Café São Bento e não haja dúvidas que o Lombo é muito melhor que o da vazia, embora na minha opinião não justifique a brutal diferença de preço. Guloso como sou, preferi o molho do Bife à Café São Bento, mas a opção à Portuguesa é mais saudável. Pedi um ovo estrelado a cavalo e paguei mais. Como sobremesa optei por um Bolo de Chocolate que a gerência afirma ser o melhor do mundo... eu não diria tanto, mas confesso que a combinação entre o merengue e o chocolate funcionou na perfeição.

Preço Vs Qualidade (4/10)

Caro! Muito caro para a realidade portuguesa... talvez não tão caro para os abastados deputados portugueses, mas ainda assim compreendi o conceito e entendo o que leva as pessoas a quererem pagar um pouco mais para ter uma experiência diferente num espaço multifacetado.

Preço Base (Prato+Bebida): De 20€ a 25€
Preço Base + Sobremesa: De 30€ a 35€
Preço de Menu Completo: De 40€ a 45€

Conselhos & Dicas

- Não é um espaço adequado para crianças pela sua configuração, nem para vegetarianos pela sua ementa.
- A única alternativa aos bifes é Salmão Fumado com Salada.
- Não arrisque estacionar em locais proibidos ou duvidosos, porque estamos junto à Assembleia da República onde os agentes de autoridade são muito rigorosos.
- Prepare-se para desembolsar acima da média para qualquer artigo que escolha.

Wagamama (Londres - Soho, Inglaterra)

Comida japonesa como nunca tinha visto nem provado.


Num dos poucos momentos em que a sorte grande me bateu à porta, através de um concurso tive a oportunidade de visitar Londres juntamente com algumas pessoas conhecedoras da cidade e que me levaram a este restaurante que asseguravam estar na moda e que mais tarde vim a saber que tinha sido eleita a cadeia de restaurantes mais popular de Londres. Confesso que não fiquei fã, mas a cadeia de restaurantes Wagamama, embora maioritariamente direcionado para o mercado britânico, cresceu já para além do Reino Unido através de um menu que é uma espécie de fast-food de comida japonesa, algo que representa o oposto do que normalmente consideramos uma calma e relaxante experiência gastronómica. Não quero incluir cadeias de fast-food neste blog, mas esta é diferente na sua génese até porque nos servem à mesa.


Localização & Acesso (5/10)

O Soho é o bairro boémio de Londres onde os bares se multiplicam, assim como as atividades noturnas e obscuras. Fica localizado na porta 10A de Lexington Street que é uma rua bem apertadinha e apenas acessível a pé a uns bons 500 metros de Piccadilly Circus. Há parques subterrâneos nas redondezas, mas nem quero imaginar os preços. O acesso ao restaurante é estranho, porque depois de aceder a um grande hall de entrada, descemos uma rampa que nos faz atravessar as cozinhas até à sala que se encontra ao nível de uma cave.

Conforto, Decoração & Ambiente (4/10)

Não consigo deixar de comparar o espaço com uma cantina com mesas grandes e feias, onde não existem toalhas, mas apenas folhas de papel colocadas por cima do tampo de madeira. Temos que nos sentar ao lado de estranhos e partilhar o mesmo banco corrido que em algumas mesas dava para 8 pessoas de cada lado. O ambiente à noite é bem diferente do almoço já que os frequentadores do bairro também se modificam consideravelmente conforme o movimento dos astros, ou seja, familiar ao almoço e vanguardista ao jantar. Estar numa cave também não ajuda a criar ambiente, mas há qualquer coisa que nos faz sentir confortáveis, mesmo sem privacidade.


Atendimento & Serviço (6/10)

O espaço é frio, mas o atendimento não sendo muito mais caloroso é bem eficiente por sinal. Está tudo tecnologicamente muito evoluído, tendo mesmo sido o primeiro restaurante onde observei a utilização de PDA's para fazer os pedidos. São rápidos a atender e a servir, não há grandes queixas a fazer nem grandes comentários abonatórios.

Ementa & Apresentação (7/10)

Esta cadeia de restaurantes gaba-se de produzir uma imagem do típico bar japonês de comida tradicional, mas quando lá estive não era essa a imagem que transpirava, talvez porque os clientes fossem do grupo notívago. O Wagamama é claramente um restaurante japonês diferente, onde as pessoas não vão comer sushi ou sashimi bonitinho como nos lugares habituais, aqui come-se o que está à venda nas bancas de rua de Tóquio, como o Ramen, o Teppanyaki, pratos de caril e de outras especiarias picantes. Naquela altura, tudo isto era novidade para mim, portanto olhar para aquela ementa era o mesmo que estar a ler qualquer coisa escrita com carateres japoneses. A apresentação não é muito elaborada, acaba por ser simples porque os ingredientes também têm um aspeto grosseiro.


Qualidade da Refeição (6/10)

Cometemos um erro ao escolher os pratos ao acaso, pensando que podíamos dividir a comida entre todos, porque os pratos eram individuais e pouco práticos para fazer "rodar" pela mesa. Pior foi que alguns dos pratos eram inexplicavelmente picantes, como nunca tinha experimentado. Chamavam-lhe "Chili Dishes", o que deveria ter contado como aviso, mas cego pelas indicações dos clientes habituais deixei que me calhasse o mais picante do lote, que me fez transpirar durante mais de duas horas. Curiosamente, um casal de rapazes, que se sentaram ao nosso lado, pediram a mesma coisa e deglutiram tudo como se fosse um refresco! Se calhar, as minhas papilas gustativas estavam muito sensíveis. Os pratos de Teppanyaki (grelhados) e Ramen (noodles) eram bem mais comestíveis, embora nenhum me tenha causado grande sensação... talvez porque já tivesse degustado aquela explosão de sabores picantes.

Preço Vs Qualidade (6/10)

A opinião generalizada é de que se trata de um restaurante bastante barato para a média britânica e para comida japonesa, mas naquela altura não achei assim tão acessível. Achei caro, porque não gostei muito da comida cujo sabor não parecia muito adaptado aos gostos europeus. Para além disso, quando pensamos em fast-food não estamos muito dispostos a gastar mais de 10€, mesmo considerando que nos servem à mesa.

Preço Base (Prato+Bebida): De 10€ a 15€
Preço Base + Sobremesa: De 15€ a 20€
Preço de Menu Completo: De 20€ a 25€

Conselhos & Dicas

- Se tiver paladar sensível, fuja dos pratos picantes.
- Para as crianças, o Teppanyaki é o mais indicado.
- Perceba que o ambiente é muito diferente entre o almoço familiar e o jantar mais boémio.
- Não é uma zona particularmente bonita, certamente haverão outros restaurantes da cadeia em locais mais aprazíveis.
- Não há muitas bebidas "ocidentais", dão preferência ás japonesas também.